Samba enredo, um patrimônio imaterial do Estado do Rio de Janeiro

Samba enredo, um patrimônio imaterial do Estado do Rio de Janeiro

Carnaval é um momento de celebração, mas também de cultura, arte, resistência e representatividade. Os desfiles das escolas de samba trazem um patrimônio imaterial do Estado do Rio de Janeiro: o samba enredo. Juntamente com o partido-alto e o samba de terreiro, o samba enredo foi reconhecido oficialmente pelo Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – em 2007.

Segundo o próprio Iphan, “patrimônio cultural imaterial é tudo aquilo que dá sentido à memória e à identidade coletiva de um povo, mas que não é físico, concreto, material. Ele aparece nos saberes e modos de fazer, nos rituais, nas danças, nas músicas, nas festas e nos lugares marcados pelos afetos coletivos. É aquilo que não se pega com as mãos, mas se sente na fala, no gesto e no convívio, como os ensinamentos que recebemos dos nossos avós. São os laços e vínculos que sentimos durante uma celebração ou a maneira como se faz um bordado. Esse patrimônio é vivo, transmitido de geração em geração, e está sempre mudando com as pessoas e os territórios onde acontece” (Iphan, 2025, online).

O Registro das Matrizes do Samba no Rio de Janeiro, partido-alto, samba de terreiro e samba enredo teve como proponente o Centro Cultural Cartola (atual Museu do Samba), com pedido de Registro aprovado na 54ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, em 09 de outubro 2007 e inscrição no Livro de Registro das Formas de Expressão em 20 de novembro de 2007.

Na Sapucaí, na Intendente Magalhães e em Avenidas espalhadas pelo Estado do Rio de Janeiro todo, o samba enredo acompanha gerações com sua tradição. No Dossiê 10: Matrizes do Samba no Rio de Janeiro (2007), o Iphan explica que “Samba, samba-chula, samba raiado, samba-choro, samba-canção, samba-enredo, samba de breque, de terreiro, de quadra, de partido-alto. São tantos os estilos de fazer samba que podemos pensá-lo como uma espécie de metagênero, um grande ambiente sociomusical em que práticas culturais coletivas ocorrem a partir da música e através dela”.

E complementa: “Samba enredo é aquele em que o compositor elabora os seus versos para apresentação no desfile. Ao longo do tempo, ele adquiriu certas características, como a capacidade de descrever de maneira melódica e poética uma “história” — o enredo — que se desenrola durante o desfile. De sua animação e cadência depende todo o conjunto da agremiação, em termos de evolução e envolvimento harmônico. O samba-enredo agrega características do partido-alto e do samba de terreiro, como, por exemplo, a presença marcante do refrão e a inclusão, quase sempre nas entrelinhas, de experiências e sentimentos dos sambistas” (Iphan, 2007).

Independente da sua escola do coração, o samba enredo move uma riqueza cultural que deve ser valorizada. E, se quiser mergulhar ainda mais no assunto, consulte o Dossiê do Iphan e não deixe de fazer uma visita ao Museu do Samba, que é Centro de Referência de Documentação e Pesquisa do samba.

Referências:
IPHAN. DOSSIÊ. 10 Matrizes do Samba no Rio de Janeiro: partido-alto, samba de terreiro, samba-enredo. Iphan, Brasília/DF, 2007.

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (IPHAN). Matrizes do samba no Rio de Janeiro: partido-alto, samba-de-terreiro e samba-enredo. Brasília, DF: IPHAN, [s.d.]. Disponível em: https://bcr.iphan.gov.br/bens-culturais/matrizes-do-samba-no-rio-de-janeiro-partido-alto-samba-de-terreiro-e-samba-enredo/. Acesso em: 20 fev. 2026.

MUSEU DO SAMBA. Museu do Samba – Instituto Cultural Samba e Carnaval. Rio de Janeiro, RJ: Museu do Samba, [s.d.]. Disponível em: https://www.museudosamba.org.br/. Acesso em: 20 fev. 2026