Debate sobre a Região dos Lagos abre VII Encontro do Patrimônio Fluminense

Debate sobre a Região dos Lagos abre VII Encontro do Patrimônio Fluminense

Dos povos indígenas, passando pela chegada dos portugueses e dos escravos africanos, a migração de nordestinos, as diferentes levas de estrangeiros, até o turismo em massa. Uma mesa-redonda sobre as múltiplas identidades da Região dos Lagos abriu os debates do VII Encontro do Patrimônio Fluminense, no Casa de Cultura Charitas, em Cabo Frio, nesta quinta (9/11). Na mesa, mediada pelo arquiteto Ivo Barreto, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), especialistas discutiram o legado dos diferentes povos que viveram e deixaram as marcas de suas culturas na história de Cabo Frio e da região.

Professor do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Campos, Walter Pereira lembrou dos laços políticos, econômicos e sociais que unem as cidades do litoral norte do Estado. “Nós temos que escapar da fragmentação excessiva e construir uma historiografia mais ampla da região”. Ao relembrar a história e o impacto da instalação da Companhia Nacional de Álcalis, em Cabo Frio, a partir da década de 1940, Walter Pereira destacou como a empresa produtora de barrilha e sal estava relacionada a um projeto de industrialização e desenvolvimento do país, do qual também fazia parte, entre outras, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), criada em Volta Redonda. “Mesmo com todos os problemas, a vinda da Álcalis trouxe um dinamismo muito grande à região”, disse.

A importância da pesca enquanto atividade econômica para a Região dos Lagos, apesar do impacto do processo de urbanização do século XX, foi o tema da apresentação do professor de gastronomia e coordenador do curso técnico em eventos do Instituto Federal Fluminense, em Cabo Frio, Fernando Mello. O professor recordou as raízes de sua família, em Arraial do Cabo, para resgatar a importância da pesca e do peixe para a economia, a história e a culinária do local. “Existe registro desde o século XVII do potencial de exploração do pescado da região”, revelou Fernando. Com inúmeros exemplos da importância da atividade pesqueira para a Região dos Lagos, o professor do IFF reforçou a necessidade de se manter essa memória viva para as próximas gerações. “A pesca é um elemento fundamental da nossa cultura”.

Sociólogo e editor da revista cultural “Nossa Tribo”, José Correia iniciou a sua apresentação com uma homenagem aos 180 anos da criação do Charitas, em Cabo Frio onde é realizado o encontro. “Aqui é o coração da cidade”, disse. Na discussão sobre as múltiplas identidades do cidadão cabofriense, José Correia relembrou a história da cidade e contou como as atividades tradicionais da região, como os tapetes de sal na festa de Corpus Christi, se relacionam com o turismo em massa que chega a Região dos Lagos. Refletindo sobre a identidade como uma “construção histórica”, o sociólogo citou as contribuições de índios, portugueses e africanos ao longo dos séculos. “Todos ajudaram a construir Cabo Frio. Assim como não existe um ser brasileiro, não existe um ser aqui da cidade. Cabo Frio é um sujeito coletivo”, declarou.

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