O subúrbio do Rio de Janeiro guarda um lugar que vive na memória de muitos cariocas e até de pessoas de outros municípios do RJ: é o Parque Shanghai. Com seus famosos “Minhocão” e “Dragão”, além de carro bate-bate, autorama, trem fantasma e muitas outras atrações, desde 1966 ocupa 17 mil metros quadrados na Penha, literalmente aos pés da Basílica Santuário de Nossa Senhora da Penha de França.

Com sua história inicialmente itinerante, originou-se em 1919 e chegou à cidade do Rio de Janeiro, vindo de São Paulo, em 1934, fixando sua presença, inicialmente, perto do atual Aeroporto Santos Dumont, no Centro. O Parque Shanghai depois foi para a Quinta da Boa Vista, no bairro de São Cristóvão e, nos anos 60, o parque sofreu uma ação de despejo, como mostra a edição do jornal “A Noite” de fevereiro de 1962.
Foi instalado, então, no “subúrbio da Leopoldina”, como essa região da Penha é conhecida, e atualmente recebe mais de 4 mil visitantes ao mês. A partir da identificação de sua importância histórica, cultural e afetiva, o Parque Shanghai foi declarado em 30 de abril de 2026, pela Lei nº 11.170 como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro.
Na prática, isso significa que o governo do Rio fica comprometido a:
– Apoiar iniciativas de valorização e divulgação do parque (como prevê a própria Lei 11.170/2026);
– Incluir o bem nos inventários e políticas culturais do estado;
– Garantir que qualquer ação pública que afete o espaço — obras, intervenções urbanas, despejos — considere seu valor cultural protegido;
– Reavaliar periodicamente o bem para verificar se ele ainda existe e se está sendo preservado.

O dever estatal de proteger o patrimônio imaterial também representa uma forma de valorização das culturas populares, periféricas e tradicionais. Manifestações ligadas às práticas culturais locais passam a ser compreendidas como parte fundamental da memória coletiva fluminense.
Dessa forma, a atuação do Estado não deve se limitar apenas ao reconhecimento formal desses patrimônios, mas também à criação de políticas permanentes de preservação, incentivo e valorização cultural. A proteção do patrimônio imaterial, portanto, está diretamente relacionada à defesa da diversidade cultural e ao fortalecimento das identidades sociais presentes no Estado do Rio de Janeiro.

O Parque Shanghai vive na lembrança de pelo menos 4 gerações de cariocas através de risadas no carrinho bate-bate, gritos de susto no trem fantasma, primeiros encontros, aniversários e o sorriso de felicidade da infância. Uma memória que mora no coração, principalmente dos moradores da Zona Norte, que merece ser protegida, celebrada e visitada.
Imagens:
Carrossel do Parque Shanghai, Penha, Rio de Janeiro